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A Berta aprendera a viver na Escravitude quando conseguiu aceitar que, naquela vila, a vida privada se reduzia ao interior do cérebro. Aprendeu a deixar a porta aberta da sua casa sem medo, a receber visitas a qualquer hora, a consolar e escutar.
Talvez a soidade fosse isso, um viver para fora sem dor nem pranto e um viver para dentro agonizando. Recordava a primeira vez que falara com a Sra. Engrácia, a bruxa.
Aparecera na sua casa com cara de horror avisando-a da sua iminente morte caso nom fosse ver um médico. Lembrava a raiva que se apoderara do seu corpo virando-a cega. Depois fora a calma, e a decisom de converter-se também a essa vida calma da Escravitude. Nom poderia viver esquecida, portanto compartiria aquilo que lhe parecesse inócuo, pedaços da sua vida que flutuavam polos arrabaldes da sua alma. Aprendeu que, na Escravitude, as palavras sempre tinham um significado engadido, que nom importava o tema ou o sentido, o importante era sentir-se acompanhada, sentir-se parte desse conjunto imaginário que os convertia em povo, em grupo.
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Editorial: Através 04-2025
Idioma: Galego
Páxinas: 98
NARRATIVA
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